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"Quem é aquele rapaz?"

"Quem é aquele rapaz?"

Está trovoada

29.11.20

Está trovoada e chove a potes.

Quando era criança gostava destes dias, desde que não fossem dias de escola, porque eram a desculpa para ficar em casa a jogar computador ou a fazer construções em lego, que eram coisas que eu podia fazer horas seguidas sem me cansar. Os meus pais moravam no campo, pelo que passava muito tempo na rua. Nestes dias chuvosos sabia bem ficar em casa.

Hoje a chuva também sabe bem: é fim-de-semana e estou abrangido pelo recolher obrigatório. Se estivesse bom tempo, achava que era um desperdício não poder sair de casa. Assim não me custa tanto.

Mas há coisas que mudaram: olho à minha volta e acho que devia usar o tempo para ir arrumar aqueles papéis que se acumulam na estante ou para aspirar o chão (é só na minha casa que o cotão aparece de todo o lado nos quartos?). Ainda por cima, passar demasiado tempo em casa faz-me dor de cabeça.

Não gosto de dizer que me sinto velho, afinal ainda nem cheguei aos 40. Mas há coisas que definitivamente mudam com a idade.

Ignorar o óbvio

25.11.20

Há coisas tão óbvias, mas mesmo tão óbvias, que só as vejo depois de acontecerem. Ora acompanhem-me...

Eu andava satisfeito porque o valor das faturas da água até era relativamente baixo. Dado que eu nunca dei a contagem (nem da água, nem qualquer outra coisa), já deveria ter desconfiado (ou confirmado nas próprias faturas) que andava há algum tempo a pagar água por estimativa. Mas não desconfiei, nem confirmei, porque eu só olhava para o valor a pagar na fatura.

Dado o confinamento e dado que eu tenho estado a maior parte do tempo a trabalhar em casa, é natural que existisse um consumo maior de água durante este ano, o que seria incoerente com o facto de estar a pagar valores iguais aos do ano passado. A não ser, claro está, que estivesse a pagar água por estimativa e, portanto, estivesse a pagar valores abaixo do consumo real.

Estão a adivinhar o fim desta história, não estão? Pois, era só somar 2 + 2. Mas eu só percebi isto tudo quando hoje recebi uma fatura de água para pagar com o valor 4 vezes superior ao normal. Afinal, desde o confinamento que não havia leituras por parte da empresa, pelo que agora veio o acerto de todos estes meses.

Alguém tem um comprimido para as dores? 

Como ser persuasivo numa discussão

23.11.20

A Rapariga (a minha esposa, entenda-se) veio pedir-me uma opinião sobre algo que estava a pensar fazer. Eu respondi que não concordava e justifiquei brevemente. Ela insistiu. E eu, como não estava para argumentar mais, nem para alimentar uma discussão interminável, respondi-lhe apenas: "Faz o que tu quiseres".

E ela, obediente, fez o que ela quis.

Agora imaginem que a conversa era ao contrário: era ela a dizer-me para eu fazer o que eu quisesse. O resultado não seria o mesmo, pois não?

Teletrabalho

21.11.20

E apesar do meu cansaço em ouvir falar da pandemia, vou ser incoerente e falar do teletrabalho. Portanto, não é bem sobre a pandemia, mas anda à volta do assunto.

Tenho a sorte de poder fazer o meu trabalho a partir de casa. Portanto, nunca tive quebras de rendimento, além de que poupo tempo e dinheiro porque não tenho que me deslocar. Em contrapartida, as despesas adicionais que tenho ficam por minha conta, que para já se resumem ao essencial numa casa (luz, água e gás). Portanto, embora não tenha feito contas, julgo que dá um balanço positivo.

Tendo eu esta ideia bem clara na minha mente, vejo surgir duas notícias distintas. Por um lado, admite-se uma taxa sobre quem está em teletrabalho, com base na premissa de que aquilo que se poupa pode servir para pagar a taxa (aparentemente a ideia não está em discussão cá em Portugal, mas não está afastada). Por outro lado, há empresas que pagam mais a quem está em teletrabalho, para compensar as despesas adicionais.

Obviamente que, a nível pessoal, gostaria muito de estar abrangido por esta última medida (embora duvido que a minha empresa o vá fazer) e espero que nunca seja aplicada a tal taxa (e aqui não digo que não venha a acontecer).

Mas olhando para o bem comum, será esta taxa uma medida justa? E se assim for, não haverá também outras situações, de pessoas singulares ou coletivas, que deveriam ser taxadas por conseguirem arrecadar mais dinheiro do que aquele que seria normal graças à pandemia?

Não tenho opinião formada sobre o assunto, por isso deixo a questão no ar.

Cansado de ouvir falar da pandemia

14.11.20

Aqui o Rapaz cansou-se de ouvir falar da pandemia.

Sei que falo de "barriga cheia", porque o vírus não entrou cá em casa. Também porque tenho possibilidade de trabalhar a partir de casa, o que até me tem permitido poupar no tempo e no combustível.

Desde início que tenho tentado ser equilibrado na informação que consumo: importa-me saber o ponto de situação e as medidas que vão sendo tomadas. Mais nada. Se já estava cansado das reportagens que mais pareciam telenovelas, agora então são mesmo de evitar.

Mas o que mais me tem cansado são as dicas sobre como viver este tempo. Uma pessoa passa os olhos pela página do Sapo (que é onde vou seguindo a atualidade) e vou sempre encontrando títulos sobre dicas de alimentação, exercício físico, produtividade em teletrabalho... Acho que ainda abri alguns, mas ao fim de vários meses nisto já não quero saber.

Agora que estamos na segunda vaga da pandemia, e também na segunda fase do teletrabalho (que entretanto tinha já tinha sido substituído por turnos em espelho), a minha empresa, preocupada com os seus colaboradores, achou por bem fazer umas formações (online, claro está) sobre... isso mesmo... dicas para viver em tempo de pandemia. O tema principal só podia ser um: ser produtivo em teletrabalho. Mas também abordam o bem estar, em temas como... alimentação e exercício físico.

Ora a minha alimentação não mudou por estar em casa, porque eu até levava marmita para o trabalho. Exercício físico não faço, cansa-me, portanto não preciso de dicas... Quanto ao teletrabalho, paro logo na dica de termos que quer ter um espaço físico só para trabalhar: já tive, depois tive dois filhos e precisei do quarto, portanto trabalho na mesa da sala de jantar, no mesmo lugar onde como as refeições.

O que não deixa de ser curioso é que na minha empresa nunca me ensinaram a trabalhar presencialmente. Portanto, agora também posso ser autodidata no que toca a trabalhar em casa.

E pronto, como estava cansado de ouvir falar da pandemia, decidi vir para aqui... falar da pandemia! Segundo post neste blog e já estou a ser incoerente...

Portanto, vou-me calar, por agora, não sem antes deixar uma dica sobre a pandemia: se estiverem cansados, desabafem num blog!

Apresentação

12.11.20

E assim começo mais uma aventura na blogosfera. Não é, portanto, o meu primeiro blog (nem deverá ser o último). Após alguma reflexão, e sentindo necessidade de retomar a escrita, decidi libertar-me das minhas anteriores "personagens" e criar esta nova.

Anónimo e incógnito, apresento-me como "Aquele Rapaz" (ou apenas "Rapaz"), num blog cujo título é uma pergunta: "Quem é aquele rapaz?". A verdade é que, ao olhar para mim próprio para tentar criar uma alcunha que me definisse enquanto pessoa, não cheguei a qualquer conclusão. Em vez disso surgiu-me esta pergunta, que não é minha: foi feita por alguém há uns bons anos (talvez num outro post venha a falar sobre este episódio).

Mas a verdade é que percebi que a pergunta continua atual: afinal, quem sou eu? Sou um rapaz, casado, pai de dois filhos, trabalhador, deslocado da terra onde cresci para estudar e, mais tarde, trabalhar. E para além disto, quem sou?

Decidi assim avançar, num blog no qual quero escrever espontaneamente, sem grandes planos, porque normalmente é assim que a escrita me sai melhor. Talvez com isto consiga descobrir-me.

Se quiserem acompanhar-me e ajudar-me a dar resposta a este pergunta, ficarei muito feliz. Porque, afinal, isto de escrever sem ter ninguém para ler é como bater uma punheta: é bom, mas não é bem a mesma coisa. Portanto, convido-vos a ficarem por aqui.